segunda-feira, maio 30, 2005

Descobertas e novas visões.

Foda essa coisa de coração, carência afetiva, de alucinar uma vida feliz do lado de uma pessoa.
Sou culpado assumido de criar minha própria fantasia emocional, e esperar que o próximo acontecimento afetivo venha a se tornar alvo de algo muito maior. Babaca.
Passei muito tempo da minha vida pensando se das coisas que tenho hoje eu teria certeza de ter amanhã, e a verdade de que descubro é que ontem, quando tinha, não desfrutei. Resultado é que as coisas que hoje já não tenho mais, não foram tão boas, mas não porque não eram boas de verdade, mas porque tê-las por muito muito tempo é que era a graça. O bom é o garantido, a ilusória vitória que nunca existiu, e não o caminho, o percurso, os fatos, o tempo que tinha.
A vida já não é mais um jogo de pôquer; já não me importa mais saber quem vai ganhar a próxima, se vou continuar na boa sorte, se vou conseguir segurar os grãos da areia do deserto.
Se algum dia a graça foi ter esses grãos em punho cerrado, firme pra que não pudesse perdê-los, hoje a vida se torna sentir a textura, saber que cor têm, que sensação eles provocam enquanto se esvaem da mão.
E a cada dia uma nova descoberta, uma nova preocupação que cai com o tempo. Tempo: a dose certa pra que cada um saiba ter equilíbrio em seu eu.
Meu eu! Eu estou descobrindo há pouco tempo que o tenho. Mais uma vez, procurei em todos os lugares aonde poderia estar, se ele poderia estar em algum lugar importante nas pessoas que eu conheço, em algum lugar especial nesse mundo. O único lugar em que esqueci de procurar foi aqui dentro, aonde ele sempre esteve esse tempo todo.
Nosso eu é algo que como sem conceito, sem explicação, mas com uma certa lógica: é tão valioso para quem nos importa quanto é pra nós. E foi aí meu erro: fiz da importância dele o que os outros pensavam, e minha consciência viveu como aquela criança que fica por última pra ser escolhida no futebol na rua.
Vamos ver no que dá.