sexta-feira, agosto 12, 2005

Jogo da vida... e dia dos pais!

Há muito tempo eu tenho um bloqueio em aceitar que sou adulto, mas não por fugir das responsabilidades, mas pelo peso da palavra; eu que há pouco tempo atrás era um menino e vivia tentando ser um, finalmente cheguei lá e hoje percebo que foi como fazer 18 anos: continuei fazendo as mesmas coisas de 17 anos.Hoje de manhã me veio à cabeça que na infância eu brincava de jogo da vida. Ah,como era divertido pegar meu carrinho, colocar-me nele e caminhar pelas casinhas dos anos, e casar-me, ter filhos, e brincar de afortunar-me nas alegrias e tristezas que esse caminho tortuoso me apresentava. E o tempo passou, e adivinhe? Continuo jogando o mesmo jogo, só que com regras mais duras, e consequências maiores que apenas perder uma rodada.É, a vida. Temos muitos jeitos de vivê-la, e talvez por isso não existe um manual: já pensou que a gastaríamos inteira pra tentar aprender, e quando soubéssemos, não nos serviria de nada todo aquele conhecimento?Dos muitos lados que talvez possamos pensar que existem, podemos conseguir resumir a dois: ser positivo ou negativo, ver o bom ou o ruim da vida.Então alguém decidiu que aprenderíamos aqui, no meio do jogo, e cá estamos nós, caminhando no tabuleiro sem ter a menor idéia do que vem pela frente e tendo a única certeza que lá existe um fim, e que não começa uma nova partida.
Vou aproveitar e imendar nessa partida da vida, aquela hora em que não todos, mas a maioria dos jogadores passa: ser pai. Engraçado, penso no meu pai e ele sim é adulto, eu não.Ah, se fosse tão fácil quanto só colocar as pecinhas no carrinho e continuar o jogo... mas aquela pecinha é realmente tão pequena como no jogo, mas ela se mexe, está viva, tem vida! olha pra você e ri, chora, fita, percebe as coisas no mundo lá fora e precisa de ajuda! E você tem ela no colo, mas tanto quanto ela, não sabe o que fazer: são dois perdidos, cada um com suas novidades e problemas.E você, que como eu até pouco tempo, era apenas um menino tentando transpor obstáculos na vida, vai tentar ensinar como sabe, o que sabe, pra que essa pequena pessoa que vem ao mundo, como fazer isso sem que ela sofra tanto quanto você sofreu, mesmo sabendo que o sofrimento lhe tornou forte; vai tentar dar a ela todo o conhecimento que tem, mesmo sabendo que precisa aprender muito.Ah, se fosse tão fácil como imaginar e escrever como eu faço... mas não é. E acredito que chegamos a uma idade, depois de muito ver e experimentar dessa vida, que percebemos o quanto foi difícil fazer esse trabalho, e o quanto cobramos dessas pessoas que tanto se esforçaram pra nos dar tudo que elas nem tinham. Como acredito em Karma, vamos ter a chance de viver o quanto é difícil tal tarefa, mas reconheço só pelo pouco que passei que talvez um manual, mesmo que extenso, pode ter feito falta em muitas horas.Meus parabéns à vocês, pais, pai e mãe, que tentaram, por opção ou não, nessa tarefa difícil que é ser o que vocês são: pais e mães.
Feliz dia dos Pais.

quarta-feira, agosto 03, 2005

Fechem as cortinhas.

Chega. Tem certos atos do espetáculo da vida que eu realmente acho desnecessário. Tem horas que a encenação cansa, enjoa, e gasta o precioso tempo com atitudes evasivas que só nos levam a mais dúvidas.
Deixo de lado todo meu esforço de fazer esse texto ter toda uma poesia, porque é exatamente de verdade crua e nua que falamos, ou da falta dela.
Porquês não vamos direto ao assunto, pra quê rodear? Porquê não assumimos escancaradamente o que pensamos e sentimos, e ouvimos o outro lado em seguida? Pra quê esse teatro interminável pra fingir o que não queremos?
Eu quero, e quero muito, então eu procuro o que quero; mas se procurar demais, me torno fácil, e posso fazer perder o interesse, então que ela procure; mas ela não procura, será que ela não quer? Talvez ela queira, mas não queira admitir que quer.... ah, porquê tenho que continuar querendo se ela não quer? Opa! ela sentiu falta! então eu procuro... ou não? hmmm.... Claro! porque corro atrás do que quero! Mas será que ela quer? Hmmm....

"Olha, eu gosto de você, não consigo parar de pensar o dia inteiro, quero você por perto, do meu lado, e vc?"
Parece mais fácil, certo? Imagine também que a quantidade de letras que usei pra expressar cada atitude seriam como dias, ou horas... também parece mais rápido de resolver, certo?
Não quero explicação do porquê fazemos isso, porque essa resposta não vai nos fazer deixar de agir assim. Que então fechem as cortinas desse ato idiota e que a disputa de egos cesse, e que tenhamos ao menos a certeza de sermos ou não correspondidos.
Que pulemos pra próxima cena, seja ela de amor ou de dor.

terça-feira, agosto 02, 2005

Confusão na mente...

Ontem lendo o livro "Montanha Russa" da Martha Medeiros, uma crítica em particular me despertou a atenção: Felicidade realista.
Resumindo, ela fala sobre a nossa cultura surreal e exagerada em relação aos sentimentos, e eu concordava com tudo que ela dizia. Não vou discutir aqui de quem é a culpa, mas nos tornamos exploradores incessantes dos máximos de tudo, completamente extremistas.
Não acordamos mais pensando em viver nossas vidas, queremos viver A vida, fazer dela o Máximo do Supra Sumo, porque a nossa vida é só a nossa vida, nada demais.
Ou seja: passamos nossa insignificante vida tentando viver uma vida que não é nossa, e qual o resultado? Não vivemos vida nenhuma!
E mais: somos felizes sim, mas estamos tão ocupados tentando ser os mais felizes do mundo, numa felicidade que só existe em novela, ou filme, ou num comercial de margarina (meu marketing né) que nem percebemos isso.
Continuo pensando e afirmando que essas coisas não existem, mas a felicidade sim, essa eu sinto presente na minha vida.