segunda-feira, maio 31, 2004

O orgulho é o combustível da raiva.
Hoje no metrô, estava eu no meu lugar, quieto, tranquilo, até que na estação do Estácio, aonde embarcam os passgeiros da linha 2, fui atropelado e esmagado por uma multidão de pessoas que lutavam entre os que já estavam no metrô e entre eles mesmos, tentanto encontrar um espaço que pudessem se acomodar. Fiquei furioso, porque a cada segundo que passava, o número de pessoas por metro quadrado aumentava significativamente, e meu espaço se reduzia. Minha reação imediata foi empurrar as pessoas de volta, a medida que elas me empurravam.
Depois que saí do metrô, percebi que meu orgulho não me permitia que fosse esmagado, já que não fazia isso com ninguém. Era um absurdo fazerem isso comigo!
Porquê?
Porque eu sou melhor que eles? Porque eu não fiz ou pretendo não fazer? Será que eles fizeram por mal?
Eu sabia de imediato todas essas respostas, e com o tempo, foi ficando mais fácil aceitar meu orgulho, e perceber que a função dele foi botar lenha na fogueira. É como aquele diabinho no ombro, que fica te espetando com o garfinho, dizendo "vai, vai".
E aonde esse orgulho me leva?
A agir da mesma forma errada que as pessoas que me empurravam, a sentir raiva delas e só me prejudicar, ou do jeito que Willian Shakespeare dizia:
"Guardar ressentimentos é como beber veneno e esperar que a outra pessoa morra."

segunda-feira, maio 24, 2004

Hoje, conversando com minha namorada, ela me disse algo que, em tempos atrás, me faria reagir de forma defensiva, negando o que eu tinha acabado de ouvir:
"Você não é humilde". Aquelas palavras me atingiram como um punhal, mas ao invés de reagir instanâneamente me defendendo, esperei por mais um mísero segundo, que me fez meditar sobre minha reação, e aceitar a minha verdade: não sou humilde.
Humilde:
- adjetivo de dois gêneros
1 que tem ou manifesta a virtude de conhecer suas próprias limitações
Ex.: o verdadeiro sábio é h.
2 que manifesta sentimento de fraqueza, de modéstia
3 que expressa ou reflete deferência ou submissão
Ex.:
4 inferiormente situado em uma hierarquia ou escala
Ex.: h. funcionário
5 de pouca importância ou brilho; sem realce; apagado, despretensioso, simples, sóbrio
Ex.:
- adjetivo e substantivo de dois gêneros
6 que ou aquele que pertence a uma baixa classe social; plebeu, pobre
Ex.:
-
Minha expressão se vítima fez com que ela sentisse um certo arrependimento, talvez, mas neste momento, tive em mente o que aprendi com um livro do meu irmão, que dizia que somos responsáveis por dar às palavras uma interpretação; meu ego nesse momento, quis fazer dessas palavras uma ofensa, mas minha consciência veio intervir, e deixar que eu aceitasse minha verdade. Ela estava dizendo nada mais que a verdade. E então, a tristeza que me tomou naquela hora não foi por ter sido ofendido, mas por saber que aquilo era verdade, e que em todo esse tempo, tudo que li, aprendi, estudei, não valia de nada, perto do que era ser uma pessoa humilde. Era ser o tipo de pessoa que eu critiquei por muito tempo, mas foi lembrando disso que tive um clarão na minha mente! Bingo: criticar as pessoas era completo oposto de ser humilde! E sabe porquê? porque se achar melhor que os outros é não saber ver que temos erros como os outros que criticamos; que criticar os outros é não saber entender que eles podem não fazer aquilo tão bem quanto você, mas estão tentando dar o máximo de si, como talvez você tente fazer naquilo em que aquela pessoa é excelente. Ficou meio confuso né? Nesse momento, pra mim ficou transparente.
Tudo que li sobre a compaixão, sobre entender o ser humano, sobre perdoar, até agora, eu tinha lido com o lado racional, como alguém que lê um livro de matemática, mas deixa a emoção de lado, e não entende com o coração. E se tratando dessas coisas, nossa mente é burra como uma porta. É como tentar dar uma definição científica ao amor: todos nós sabemos quando amamos, mas sabemos explicar minuciosamente?