segunda-feira, maio 24, 2004

Hoje, conversando com minha namorada, ela me disse algo que, em tempos atrás, me faria reagir de forma defensiva, negando o que eu tinha acabado de ouvir:
"Você não é humilde". Aquelas palavras me atingiram como um punhal, mas ao invés de reagir instanâneamente me defendendo, esperei por mais um mísero segundo, que me fez meditar sobre minha reação, e aceitar a minha verdade: não sou humilde.
Humilde:
- adjetivo de dois gêneros
1 que tem ou manifesta a virtude de conhecer suas próprias limitações
Ex.: o verdadeiro sábio é h.
2 que manifesta sentimento de fraqueza, de modéstia
3 que expressa ou reflete deferência ou submissão
Ex.:
4 inferiormente situado em uma hierarquia ou escala
Ex.: h. funcionário
5 de pouca importância ou brilho; sem realce; apagado, despretensioso, simples, sóbrio
Ex.:
- adjetivo e substantivo de dois gêneros
6 que ou aquele que pertence a uma baixa classe social; plebeu, pobre
Ex.:
-
Minha expressão se vítima fez com que ela sentisse um certo arrependimento, talvez, mas neste momento, tive em mente o que aprendi com um livro do meu irmão, que dizia que somos responsáveis por dar às palavras uma interpretação; meu ego nesse momento, quis fazer dessas palavras uma ofensa, mas minha consciência veio intervir, e deixar que eu aceitasse minha verdade. Ela estava dizendo nada mais que a verdade. E então, a tristeza que me tomou naquela hora não foi por ter sido ofendido, mas por saber que aquilo era verdade, e que em todo esse tempo, tudo que li, aprendi, estudei, não valia de nada, perto do que era ser uma pessoa humilde. Era ser o tipo de pessoa que eu critiquei por muito tempo, mas foi lembrando disso que tive um clarão na minha mente! Bingo: criticar as pessoas era completo oposto de ser humilde! E sabe porquê? porque se achar melhor que os outros é não saber ver que temos erros como os outros que criticamos; que criticar os outros é não saber entender que eles podem não fazer aquilo tão bem quanto você, mas estão tentando dar o máximo de si, como talvez você tente fazer naquilo em que aquela pessoa é excelente. Ficou meio confuso né? Nesse momento, pra mim ficou transparente.
Tudo que li sobre a compaixão, sobre entender o ser humano, sobre perdoar, até agora, eu tinha lido com o lado racional, como alguém que lê um livro de matemática, mas deixa a emoção de lado, e não entende com o coração. E se tratando dessas coisas, nossa mente é burra como uma porta. É como tentar dar uma definição científica ao amor: todos nós sabemos quando amamos, mas sabemos explicar minuciosamente?

Nenhum comentário: