Numa simples manhã de um dia qualquer da semana, a gente acorda e percebe o quanto mudou ao longo destes anos que mais pareceram poucos dias, porque a emoção esteve presente em todos, mas só de alguns a gente lembra.
E emoção é uma coisa que muda, muda muito, mas não só ela como nossos pensamentos, nossas atitudes, a forma de ver a vida e até o humor quando a gente acorda.
Ao ler os primeiros textos que deixei aqui, fico rindo sozinho e pensando o que passava pela minha cabeça, mas seria pedir demas, visto que não sei ainda explicar o que penso hoje, e já não tenho mais essa busca como objetivo.
O que eu me impus como norma para aqui escrever não me serve mais hoje.
Eu realmente acredito que todos podem ter uma vida de comercial de margarina, mas a verdade é que eu prefiro manteiga, e daquelas que não passam num comercial de TV.
E já que falei de TV, então vamos desta forma:
Gostaria de agradecer todos os comentários, as críticas, o tempo de ler e me dar a opinião que eu sempre cobrei.
E hoje, este é o último episódio de um blog sobre o café da manhã, mas outro virá sobre todo o resto do dia.
quinta-feira, agosto 17, 2006
quinta-feira, agosto 10, 2006
Ops...de novo?
Erre os erros bobos da vida, porque esse é um dos prazeres mais gostosos que ela pode porporcionar.
Mas quem os vê de fora da pele daquele cujo o cometeu troca a risada pela crítica, porque não sente no coração o prazer sensacional de rir dos próprios erros, ou dos erros alheios, dos companheiros, amigos, colegas, próximos.
Sabe aquele risinho preso de quem lembra aquele momento divertido, numa hora completamente imprópria, num lugar público, e faz todos olharem pra você com olhos curiosos, críticos ou até de menosprezo?
E melhor que errar, é achar alguém com quem dividir este conceito do erro; aquela pessoa que vai querer estar ao seu lado pra poder rir o riso companheiro de quem participa e desfruta dos erros.
Uma simples troca de olhares basta, e pra vocês tudo se acaba em risos e comentários de momentos que milhares de palavras e muitos minutos de narração não substituem a lembrança de viver aquele segundo.
O que é poder estar com alguém de quem você pode rir à vontade, sem que a alegria vire deboche, machuque, magoe?
Só quem já viveu sabe.
Que vivamos sem medo e erremos, sozinhos ou juntos, seja com quem for e principalmente, possamos rir sempre, ou gargalhar de vez em quando, certo Paloma?
Mas quem os vê de fora da pele daquele cujo o cometeu troca a risada pela crítica, porque não sente no coração o prazer sensacional de rir dos próprios erros, ou dos erros alheios, dos companheiros, amigos, colegas, próximos.
Sabe aquele risinho preso de quem lembra aquele momento divertido, numa hora completamente imprópria, num lugar público, e faz todos olharem pra você com olhos curiosos, críticos ou até de menosprezo?
E melhor que errar, é achar alguém com quem dividir este conceito do erro; aquela pessoa que vai querer estar ao seu lado pra poder rir o riso companheiro de quem participa e desfruta dos erros.
Uma simples troca de olhares basta, e pra vocês tudo se acaba em risos e comentários de momentos que milhares de palavras e muitos minutos de narração não substituem a lembrança de viver aquele segundo.
O que é poder estar com alguém de quem você pode rir à vontade, sem que a alegria vire deboche, machuque, magoe?
Só quem já viveu sabe.
Que vivamos sem medo e erremos, sozinhos ou juntos, seja com quem for e principalmente, possamos rir sempre, ou gargalhar de vez em quando, certo Paloma?
terça-feira, agosto 08, 2006
Correntes
Mal acordo e me sinto retraído pelas paredes do meu quarto. Demoro pra aceitar que tenho que levantar, passar minha roupa, tomar meu banho e seguir em frente.
Na rua, a luz do sol acaba com a tranquilidade dos meus olhos e banha o mar de cores do mundo, como um tapa forte no rosto que traz a lembrança das milhares de outras coisas que a minha realidade nem imagina.
Caminhando e tomado pela atenção dos sons das pessoas acordando pra mais um dia, pego o trem e, olhando tudo passando pela janela tão rápido quando os dias, meses e anos, sinto-me preso, com a impressão de não pertencer ao mínimo espaço que me resta, a caminho do trabalho; saudades da caminhada na ilha grande, quando a mais livre natureza e a mais simples das vidas me confortava e me dava um prazer que nenhuma digitalização consegue trazer do mais perfeito analógico.
Ao chegar na minha mesa, a primeira coisa é abrir as cortinas e ver o azul do céu, o mar da baía de guanabara e me imaginar estando lá fora, em algum lugar das montanhas que vejo na paisagem, e depois de abrir os olhos com o susto do telefone tocando, volto a sentir o peso das correntes da minha vida cotidiana.
Na rua, a luz do sol acaba com a tranquilidade dos meus olhos e banha o mar de cores do mundo, como um tapa forte no rosto que traz a lembrança das milhares de outras coisas que a minha realidade nem imagina.
Caminhando e tomado pela atenção dos sons das pessoas acordando pra mais um dia, pego o trem e, olhando tudo passando pela janela tão rápido quando os dias, meses e anos, sinto-me preso, com a impressão de não pertencer ao mínimo espaço que me resta, a caminho do trabalho; saudades da caminhada na ilha grande, quando a mais livre natureza e a mais simples das vidas me confortava e me dava um prazer que nenhuma digitalização consegue trazer do mais perfeito analógico.
Ao chegar na minha mesa, a primeira coisa é abrir as cortinas e ver o azul do céu, o mar da baía de guanabara e me imaginar estando lá fora, em algum lugar das montanhas que vejo na paisagem, e depois de abrir os olhos com o susto do telefone tocando, volto a sentir o peso das correntes da minha vida cotidiana.
Shhhh!
A imagem que tenho comigo neste exato momento é dos famosos posteres de hospital, hoje não mais encontrados, onde aquelas enfermeiras sinalizavam a necessidade de silêncio.
E foi isso que fiz hoje ao descer do ônibus a caminho de casa: desliguei o diskman, e deixe que o turbilhão de pensamentos, idéias e questionamentos tomassem vez, e assim os organizando em fila, dando a cada um deles um tempo razoável para que pudesse analisar a importância e relevância de cada um deles.
Depois de alguns minutos praticando meu exercício, me dei conta da calma que me tomava gradativamente, do silêncio e da paz que tanto precisava: a música, que eu já não conseguia ouvir, criava uma concorrência com os pensamentos, que também ficavam inconclusos.
Acho engraçado o quão temerosas são as pessoas diante do silêncio, e tomo meu trabalho como um ambiente de exemplo: as pessoas não sabem que reação tomar, que atitude esperar de uma pessoa que vive brincando e falando, mas que um dia chega completamente muda e restrita a dizer o essencial. Como eu sempre disse, qualquer relacionamento é forte baseado no convívio com o silêncio, e este nada mais é do que uma necessidade de alguém que precisa se ouvir, se organizar, se responder; elas costumam levar o silêncio como algo pessoal, como uma queda de ibope, uma opinião negativa ou um tipo de insatisfação por parte do detentor.
Eu na sala lendo um livro, um romance ou qualquer outro gênero qualquer de livro que não seja trabalho, deitado, ou melhor, esparramado no puff, concentrado; ela, deitada no sofá com as pernas esparramadas pelo braço, lendo uma revista, muito mais atenta nas figuras, lendo um comentário ou outro sobre os lugares, imaginando como será viajar por eles. Nenhum dos dois pronuncia um suspiro sequer, entregues às suas diversões, esquecidos do mundo, num paradoxo de estarem tão perto e tão longe ao mesmo tempo, distraídos.
Por anos imaginei esta cena de intimidade de um casal, que parece surreal pra mim, porque poucos são os que sabem respeitar o silêncio alheio, e nesta imagem, vejo compreensão de que acima da distância, existe o respeito pelo espaço, a consciência da felicidade além dos sinais óbvios constantemente cobrados, causados pela necessidade incessante do ser humano de ter seu ego medido, avaliado, testado.
Ouça suas perguntas sem medo, responda as que você já sabe com consciência e pule as que você não sabe sem a menor cobrança de ter que saber de tudo.
E foi isso que fiz hoje ao descer do ônibus a caminho de casa: desliguei o diskman, e deixe que o turbilhão de pensamentos, idéias e questionamentos tomassem vez, e assim os organizando em fila, dando a cada um deles um tempo razoável para que pudesse analisar a importância e relevância de cada um deles.
Depois de alguns minutos praticando meu exercício, me dei conta da calma que me tomava gradativamente, do silêncio e da paz que tanto precisava: a música, que eu já não conseguia ouvir, criava uma concorrência com os pensamentos, que também ficavam inconclusos.
Acho engraçado o quão temerosas são as pessoas diante do silêncio, e tomo meu trabalho como um ambiente de exemplo: as pessoas não sabem que reação tomar, que atitude esperar de uma pessoa que vive brincando e falando, mas que um dia chega completamente muda e restrita a dizer o essencial. Como eu sempre disse, qualquer relacionamento é forte baseado no convívio com o silêncio, e este nada mais é do que uma necessidade de alguém que precisa se ouvir, se organizar, se responder; elas costumam levar o silêncio como algo pessoal, como uma queda de ibope, uma opinião negativa ou um tipo de insatisfação por parte do detentor.
Eu na sala lendo um livro, um romance ou qualquer outro gênero qualquer de livro que não seja trabalho, deitado, ou melhor, esparramado no puff, concentrado; ela, deitada no sofá com as pernas esparramadas pelo braço, lendo uma revista, muito mais atenta nas figuras, lendo um comentário ou outro sobre os lugares, imaginando como será viajar por eles. Nenhum dos dois pronuncia um suspiro sequer, entregues às suas diversões, esquecidos do mundo, num paradoxo de estarem tão perto e tão longe ao mesmo tempo, distraídos.
Por anos imaginei esta cena de intimidade de um casal, que parece surreal pra mim, porque poucos são os que sabem respeitar o silêncio alheio, e nesta imagem, vejo compreensão de que acima da distância, existe o respeito pelo espaço, a consciência da felicidade além dos sinais óbvios constantemente cobrados, causados pela necessidade incessante do ser humano de ter seu ego medido, avaliado, testado.
Ouça suas perguntas sem medo, responda as que você já sabe com consciência e pule as que você não sabe sem a menor cobrança de ter que saber de tudo.
domingo, agosto 06, 2006
Hipocrisia...
Neste exato instante, eu me sinto um hipócrita de marca maior.
Sabe aquelas horas em que você faz tudo aquilo que tem a completa certeza de que não deveria fazer? De agir e pensar de uma forma que você condena, e sabe que faz mal a você?
E no meu caso, a hipocrisia se encaixa no ponto em que eu escrevo aqui tudo que eu aprendo para tornar minha vida melhor e fazer essas idéias e descobertas valerem no meu dia-a-dia, mas ultimamente, muitas dessas lições não entram em prática.
Sabe quando você está de dieta e luta contra sua força de vontade para não comer o bendito doce que sorri pra você toda semana na geladeira, e depois de uma batalha épica dentro da sua cabeça, você já está lambendo os dedos, tão sujos agora quanto a sua consciência, que pesa mais que a soma da janta e o doce no seu estômago?
Esse peso é a dor do arrependimento, de ouvir agora sua razão ficar ecoando "eu te disse" na sua cabeça. E isso vive acontecendo ultimamente.
E agora, você começa a odiar o maldito doce, e o circulo vicioso que resultou de tudo isso.
Mas ao mesmo tempo que odeia o doce, você olha pra ele e lembra o quão gostoso ele é, e o quão feliz faz você ficar ao lamber os beiços, mas, você lembra que não ele não vai estar lá, porque você está de dieta. E como seria bom se ele estivesse sempre lá! Ah, como seria...
Mas um dia você passa a reparar ao redor do doce, e a geladeira se mostra um lugar tão grande, com tantas coisas boas a te oferecer, e quando você menos espera, você olha o doce e descobre que não há mais graça nenhuma nele, e que não entende como pode sofrer tanto por aquele pequeno pedaço de açúcar.
Pois aí está a hipocrisia, agora somada ao ódio de saber que todo este último parágrafo é uma utopia, e que eu continuo olhando pro raio do doce atá hoje.
Sabe aquelas horas em que você faz tudo aquilo que tem a completa certeza de que não deveria fazer? De agir e pensar de uma forma que você condena, e sabe que faz mal a você?
E no meu caso, a hipocrisia se encaixa no ponto em que eu escrevo aqui tudo que eu aprendo para tornar minha vida melhor e fazer essas idéias e descobertas valerem no meu dia-a-dia, mas ultimamente, muitas dessas lições não entram em prática.
Sabe quando você está de dieta e luta contra sua força de vontade para não comer o bendito doce que sorri pra você toda semana na geladeira, e depois de uma batalha épica dentro da sua cabeça, você já está lambendo os dedos, tão sujos agora quanto a sua consciência, que pesa mais que a soma da janta e o doce no seu estômago?
Esse peso é a dor do arrependimento, de ouvir agora sua razão ficar ecoando "eu te disse" na sua cabeça. E isso vive acontecendo ultimamente.
E agora, você começa a odiar o maldito doce, e o circulo vicioso que resultou de tudo isso.
Mas ao mesmo tempo que odeia o doce, você olha pra ele e lembra o quão gostoso ele é, e o quão feliz faz você ficar ao lamber os beiços, mas, você lembra que não ele não vai estar lá, porque você está de dieta. E como seria bom se ele estivesse sempre lá! Ah, como seria...
Mas um dia você passa a reparar ao redor do doce, e a geladeira se mostra um lugar tão grande, com tantas coisas boas a te oferecer, e quando você menos espera, você olha o doce e descobre que não há mais graça nenhuma nele, e que não entende como pode sofrer tanto por aquele pequeno pedaço de açúcar.
Pois aí está a hipocrisia, agora somada ao ódio de saber que todo este último parágrafo é uma utopia, e que eu continuo olhando pro raio do doce atá hoje.
Assinar:
Postagens (Atom)