Mal acordo e me sinto retraído pelas paredes do meu quarto. Demoro pra aceitar que tenho que levantar, passar minha roupa, tomar meu banho e seguir em frente.
Na rua, a luz do sol acaba com a tranquilidade dos meus olhos e banha o mar de cores do mundo, como um tapa forte no rosto que traz a lembrança das milhares de outras coisas que a minha realidade nem imagina.
Caminhando e tomado pela atenção dos sons das pessoas acordando pra mais um dia, pego o trem e, olhando tudo passando pela janela tão rápido quando os dias, meses e anos, sinto-me preso, com a impressão de não pertencer ao mínimo espaço que me resta, a caminho do trabalho; saudades da caminhada na ilha grande, quando a mais livre natureza e a mais simples das vidas me confortava e me dava um prazer que nenhuma digitalização consegue trazer do mais perfeito analógico.
Ao chegar na minha mesa, a primeira coisa é abrir as cortinas e ver o azul do céu, o mar da baía de guanabara e me imaginar estando lá fora, em algum lugar das montanhas que vejo na paisagem, e depois de abrir os olhos com o susto do telefone tocando, volto a sentir o peso das correntes da minha vida cotidiana.
terça-feira, agosto 08, 2006
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