terça-feira, fevereiro 21, 2006

Falta

Sinto tua falta.

Quero poder te dar as mãos de novo
onde quer que estejamos
sem a menor dúvida de que pensaste
o quanto demorei para ir do teu encontro.

Sinto por demais a falta do nosso silêncio
que talvez dure segundos ou horas
e traz a certeza do quão forte é a nossa ligação.

Tenho vontade de te admirar novamente de longe
como um espectador orgulhoso da própria felicidade.

Me faz falta teu olhar preocupado
carente
distante
e principalmente compreensivo
de quando preciso ter meu tempo só
comigo mesmo.

Como me faz bem lembrar das nossas risadas juntos
do quão somos criativos para nos divertir.

Nunca tivemos uma guerra
disputa de egos, maus tratos, ou nada do tipo
sempre foi um relacionamento.

Teus braços sempre foram e sempre serão um lar
assim como tua voz no telefone conforta
mesmo sem dizer uma palavra do que já não sei.

O doce jeito de pedir carinho sempre foi teu forte
e meu fraco.

Lembro dos ciúmes
sempre os mesmos jeitos saudáveis
de pedir carinho, conforto, beijos e abraços.

Mas o que mais me assusta é,
mesmo sabendo que nunca me deixou,
nunca esteve e talvez
nunca estará do meu lado.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Perfeccionismo

Me tornei viciado no próprio ego, escravo do perfeccionismo, vítima dos meus elogios, e por isso, brinco com uma referência a um texto meu antigo:
Tentei dois mergulhos, mas acredito que fiquei mais impressionado com a opinião dos juízes do que com o próprio salto, o que resultou em dois fracassos.
Sou um ator no tablado da vida, e hoje, me encontro em crise na minha carreira. Olho as crianças brincando na rua, e não vejo nelas os pesos das preocupações que sinto hoje, cobranças essas que eu mesmo criei.
Parece que depois de tantos anos atuando, simplesmente esqueci o prazer de estar na peça da vida, e me viciei nas opiniões dos críticos, nos aplausos, nos holofotes, e nada mais importa na minha carreira.
O grande espetáculo da vida é ao vivo, sem cortes, sem testes, sem repetições com direito a corrigir os erros; mas em toda e qualquer peça, existem os improvissos que seguem logo após as risadas ou críticas de um tropeço ou de uma fala errada, mas cheguei a um ponto que não me permito mais ouvir comentários ruins, opiniões negativas.
Sou um tremendo egoísta, porque acho que os defeitos humanos tem graça nas pessoas, mas não permito que os meus sejam admirados, criticados ou até elogiados, tenham graça para os outros. Conhecer uma pessoa é saber seus defeitos e qualidades, e achar graça de ambos, saber rir dos dois lados, se irritar também com os dois: tudo na existência é feito de uma dualidade, e parece que esqueci isso.
Sou um atleta que esqueceu o espírito competitivo, que não sabe mais o que é a paixão pelo esporte, mas só gosta do brilho do ouro, das flores que carrego nas vitórias, e o medo de ocupar um lugar mais baixo no pódio.
Sou um farça, que sempre encorajou as pessoas a serem elas mesmas sem nem mesmo ter a mesma coragem de mostrar todos os meus lados, de deixar que os amigos reais continuem gostando de mim pelo todo que sou, não apenas pela parte que conforta, que ajuda, que se mostra sempre disponível para ajudar, que sempre está firme e intransponível como uma fortaleza, que não se preocupa.
Não, não me sinto falso, mas incompleto, só uma parte, um pedaço, um meio-alguém que sente receio pela opinião alheia, que teme não ser gostado, amado, querido, adorado, etc...
Minha vontade agora? Largar o teatro, abandonar o esporte, aprender a viver de novo, do novo.
É, acho que eu é que preciso fechar pra balanço.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Ela!

Acordo de manhã, olho o celular e nada: nem ligação perdida, nem mensagem de texto.
Sigo minha rotina pro trabalho, me distraindo com a música, olhando a paisagem lá fora, me pego rindo sozinho de coisas bobas, resultado da felicidade que me toma quando lembro dela; canto sozinho, gesticulo, quando mais empolgado, fecho os olhos e eles se tornam meu público, sem nenhuma vergonha.
Chego no trabalho, mas ele não começa sem antes ver se ganhei um recadinho novo!
Um amigo escreveu, meu irmão brincou comigo, uma outra amiga me perguntou alguma coisa, mas nada dela. Será mesmo? não vi errado? Não, não tem mesmo.
Bem, tenho que trabalhar né?
Eis que a conformidade que já me toma aos poucos perde espaço pro aviso de que ela entrou no MSN! Hmm... mas ela pode estar ocupada...
E não é que ela vem falar comigo? Pronto! Agora sim meu dia começou bem!
Toca o telefone, resolvo o problema, respondo uma pergunta do meu chefe, comento algo de ontem, faço alguma palhaçada, mas ela tá lá, falando comigo!!! Prometo!
Conversa vai, conversa vem, mas não dá pra parar! Não quero parar! Conversar com ela é tão bom, sem falar na guerra de elogios! Isso mesmo: "Guerra de elogios", porque é uma disputa pra ver quem ganha mais! Eu sei, você nunca ouviu falar disso né? Não sabe o que está perdendo!
É tão bom quando ela diz que eu consigo tratar ela tão bem... vai dizer que você também não gostaria de saber que está tratando bem uma pessoa que te faz sentir bem, especial, único? Me entende né?
E ela ainda tinha receios... a gente se machuca tão mais por prazeres tão menores que isso! Não sei você, mas conheço tanta gente que se maltrata por coisas que chegam a ser incomparáveis perto do que eu tô vivendo. Medo de errar na vida todo mundo tem, mas duvido que você não tenha um monte de alegrias pra contar! Claro, um monte de tristezas eu também tenho, não é só você não, e no meu caso, não me arrependo nadinha de ter vivido, e ainda quero mais! Duvido que você não queira, até porque, se tá aí dizendo que tem muitas tristezas, que tal aprender com elas a evitá-las? De perder o medo?
Eu sei que tem horas que dá vontade de desistir mesmo, que a gente não vê uma boa razão, não tem uma alegriazinha de nada, que a vida não dá um incentivo, também já passei por isso. Mas chega mais pertinho, dá uma olhada aqui dentro... viu? Não dá vontade de viver isso?

sábado, fevereiro 04, 2006

Problemas?

Mais uma vez, tenho que dar os parabéns para o espetáculo da vida, e bato palmas de pé, reconhecendo mais uma grande lição que tive hoje.
Depois de dormir apenas 4 horas e acordar no sofá, com uma leve dor de cabeça e um nó no estômago, ligo a tv e tento descansar mais um pouco, mas depois de várias tentativas em vão, eu resollvo despertar.
Lembro de ter chegado ontem confuso, com muitas coisas na cabeça, muitas delas sob efeito do álcool, outras acumuladas dessa longa semana. Que semana! Realmente, essa que passou foi uma boa prova de fogo, pra testar minha paciência, minha mente, meu coração e tudo mais um pouco, e posso dizer que foi duro, mas é mais uma pra conta.
Resolvi ir pra rua, ver a vida lá fora que não encontrava aqui dentro. Sol, os cachorros latindo, gente conversando na rua, pessoas levando o café pra casa, e eu, tentando esquecer um pouco a dor de cabeça, as dores da cabeça e do coração. Peguei meu carro, e resolvi ir pro alto, pra ver as coisas de outro ponto de vista, me distrair um pouco, pensar só num lugar mais tranquilo.
Tudo corria muito bem, até que chegando no alto da boa vista meu carro resolve enguiçar. Pronto! Não obstante ter problemas suficientes de segunda a sexta, no sábado eu também tive a minha cota já reservada.
Parei num lugar bonito por sinal, com muitas casas bonitas, arborizado, tranquilo, e foi quando pensei na tranquilidade que lembrei o quão difícil seria arrumar um mecânico pra tentar resolver o problema do carro.
Andei até uma guarita, que seria de um conjunto de ruas fechadas, como um condomínio, e pra minha sorte, me informei de alguns mecânicos que por ali trabalhavam. Quem diria! Eu, no que parecia um lugar bem afastado com mais de um mecânico pra resolver meu problema...
Eu falei sorte? Que tal se nenhum deles pudesse resolver meu problema? Bingo! foi exatamente o que aconteceu: um "não tinha tempo", outro não trabalhava mais com mecânica, um deles não tinha ido trabalhar, e o último não era mecânico.
Depois de tanto subir algumas ladeiras, volto eu pro mesmo lugar, pro meu carro parado num lugar que agora parecia distante de tudo, num sábado pela manhã que eu planejava fazer um passeio pra pensar na vida. Mal sabia eu que tinha acabado de fazer o passeio que precisava, mas só reparei isso depois de botar meu carro ladeira a baixo e fazer ele pegar na marra.
"E então havia luz".
Quando meu carro parou de funcionar, todos os meus problemas desapareceram, dando lugar ao único e exclusivo desafio de voltar pra casa. Não haviam aborrecimentos, dores do coração, problemas mal resolvidos, mais nada, e foi aí que percebi que talvez essa grande mania do ser humano de dramatizar as dificuldades da vida é completamente desnecessária, e ver as coisas por um outro ângulo, mesmo que precisemos de uma "ajudinha", é fundamental. Eu costumo fazer isso, mas ter dado foco demais aos problemas me cegou para essa forma de resolvê-los; bem, talvez não resolvê-los, nem ignorá-los, mas não dar a importância que eles não mereçam.
Bem, eles continuam aí, não os resolvi, mas eles não me fazem parar, posso continuar meu caminho, continuar caminhando e talvez mais lá na frente eu consiga achar alguma solução pra eles. E enquanto não resolvo, vou reverter o status da minha segunda parte do sábado, vou botar meu bloco na rua e aproveitar.