sábado, fevereiro 04, 2006

Problemas?

Mais uma vez, tenho que dar os parabéns para o espetáculo da vida, e bato palmas de pé, reconhecendo mais uma grande lição que tive hoje.
Depois de dormir apenas 4 horas e acordar no sofá, com uma leve dor de cabeça e um nó no estômago, ligo a tv e tento descansar mais um pouco, mas depois de várias tentativas em vão, eu resollvo despertar.
Lembro de ter chegado ontem confuso, com muitas coisas na cabeça, muitas delas sob efeito do álcool, outras acumuladas dessa longa semana. Que semana! Realmente, essa que passou foi uma boa prova de fogo, pra testar minha paciência, minha mente, meu coração e tudo mais um pouco, e posso dizer que foi duro, mas é mais uma pra conta.
Resolvi ir pra rua, ver a vida lá fora que não encontrava aqui dentro. Sol, os cachorros latindo, gente conversando na rua, pessoas levando o café pra casa, e eu, tentando esquecer um pouco a dor de cabeça, as dores da cabeça e do coração. Peguei meu carro, e resolvi ir pro alto, pra ver as coisas de outro ponto de vista, me distrair um pouco, pensar só num lugar mais tranquilo.
Tudo corria muito bem, até que chegando no alto da boa vista meu carro resolve enguiçar. Pronto! Não obstante ter problemas suficientes de segunda a sexta, no sábado eu também tive a minha cota já reservada.
Parei num lugar bonito por sinal, com muitas casas bonitas, arborizado, tranquilo, e foi quando pensei na tranquilidade que lembrei o quão difícil seria arrumar um mecânico pra tentar resolver o problema do carro.
Andei até uma guarita, que seria de um conjunto de ruas fechadas, como um condomínio, e pra minha sorte, me informei de alguns mecânicos que por ali trabalhavam. Quem diria! Eu, no que parecia um lugar bem afastado com mais de um mecânico pra resolver meu problema...
Eu falei sorte? Que tal se nenhum deles pudesse resolver meu problema? Bingo! foi exatamente o que aconteceu: um "não tinha tempo", outro não trabalhava mais com mecânica, um deles não tinha ido trabalhar, e o último não era mecânico.
Depois de tanto subir algumas ladeiras, volto eu pro mesmo lugar, pro meu carro parado num lugar que agora parecia distante de tudo, num sábado pela manhã que eu planejava fazer um passeio pra pensar na vida. Mal sabia eu que tinha acabado de fazer o passeio que precisava, mas só reparei isso depois de botar meu carro ladeira a baixo e fazer ele pegar na marra.
"E então havia luz".
Quando meu carro parou de funcionar, todos os meus problemas desapareceram, dando lugar ao único e exclusivo desafio de voltar pra casa. Não haviam aborrecimentos, dores do coração, problemas mal resolvidos, mais nada, e foi aí que percebi que talvez essa grande mania do ser humano de dramatizar as dificuldades da vida é completamente desnecessária, e ver as coisas por um outro ângulo, mesmo que precisemos de uma "ajudinha", é fundamental. Eu costumo fazer isso, mas ter dado foco demais aos problemas me cegou para essa forma de resolvê-los; bem, talvez não resolvê-los, nem ignorá-los, mas não dar a importância que eles não mereçam.
Bem, eles continuam aí, não os resolvi, mas eles não me fazem parar, posso continuar meu caminho, continuar caminhando e talvez mais lá na frente eu consiga achar alguma solução pra eles. E enquanto não resolvo, vou reverter o status da minha segunda parte do sábado, vou botar meu bloco na rua e aproveitar.

Nenhum comentário: