segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Perfeccionismo

Me tornei viciado no próprio ego, escravo do perfeccionismo, vítima dos meus elogios, e por isso, brinco com uma referência a um texto meu antigo:
Tentei dois mergulhos, mas acredito que fiquei mais impressionado com a opinião dos juízes do que com o próprio salto, o que resultou em dois fracassos.
Sou um ator no tablado da vida, e hoje, me encontro em crise na minha carreira. Olho as crianças brincando na rua, e não vejo nelas os pesos das preocupações que sinto hoje, cobranças essas que eu mesmo criei.
Parece que depois de tantos anos atuando, simplesmente esqueci o prazer de estar na peça da vida, e me viciei nas opiniões dos críticos, nos aplausos, nos holofotes, e nada mais importa na minha carreira.
O grande espetáculo da vida é ao vivo, sem cortes, sem testes, sem repetições com direito a corrigir os erros; mas em toda e qualquer peça, existem os improvissos que seguem logo após as risadas ou críticas de um tropeço ou de uma fala errada, mas cheguei a um ponto que não me permito mais ouvir comentários ruins, opiniões negativas.
Sou um tremendo egoísta, porque acho que os defeitos humanos tem graça nas pessoas, mas não permito que os meus sejam admirados, criticados ou até elogiados, tenham graça para os outros. Conhecer uma pessoa é saber seus defeitos e qualidades, e achar graça de ambos, saber rir dos dois lados, se irritar também com os dois: tudo na existência é feito de uma dualidade, e parece que esqueci isso.
Sou um atleta que esqueceu o espírito competitivo, que não sabe mais o que é a paixão pelo esporte, mas só gosta do brilho do ouro, das flores que carrego nas vitórias, e o medo de ocupar um lugar mais baixo no pódio.
Sou um farça, que sempre encorajou as pessoas a serem elas mesmas sem nem mesmo ter a mesma coragem de mostrar todos os meus lados, de deixar que os amigos reais continuem gostando de mim pelo todo que sou, não apenas pela parte que conforta, que ajuda, que se mostra sempre disponível para ajudar, que sempre está firme e intransponível como uma fortaleza, que não se preocupa.
Não, não me sinto falso, mas incompleto, só uma parte, um pedaço, um meio-alguém que sente receio pela opinião alheia, que teme não ser gostado, amado, querido, adorado, etc...
Minha vontade agora? Largar o teatro, abandonar o esporte, aprender a viver de novo, do novo.
É, acho que eu é que preciso fechar pra balanço.

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