quinta-feira, junho 02, 2005

Sede de respostas

Descobri que uma das maiores fontes de sofrimentos de muitos é a sede de respostas, é querer explicação demais pra tudo que acontece na vida. Entenda bem: não é saber as coisas, porque se você já sabe, paciência! O problema é querer saber. Conheço pessoas que simplesmente aceitam a vida, seguem em frente depois do tombo, sem a menor vontade de buscar o erro no caminho; ali tinha uma pedra, e eu tropecei, pronto. Fica a lição de ter cuidado com elas, mas elas não querem entender se andam errado, ou se a pedra está no lugar certo.No final, depois de tanto estipular pensamentos, chegamos a conclusão de que obtivemos resposta, que não diminui a dor do tombo, nem muito menos vai evitar as futuras pedras do caminho. E essa busca vira um vício, uma vida de procura, o sofrimento na ausência das respostas, uma vida completamente explicada, científica, surreal. É como buscar o porquê do amor; acredito que a maioria das pessoas, assim como eu, tem um estereótipo daquela pessoa que vai estar ao nosso lado quando tudo já for lembrança, numa varanda de frente pro lago numa cadeira de balanços, aos sons dos netos. Mas ele acontece de acordo com nossas escolhas? Temos o poder de enquadrar nossos objetivos e desejos numa pessoa e dizer: "Ok, essa pessoa seria ideal, apesar de não ser exatamente como queria, mas é legal descobrir coisas novas"? Será a necessidade de ter controle sobre tudo e todos que nos leva à explicações? Será a nossa aversão ao inseguro, ao diferente? Dependendo de como cada um pensa, pegar um ônibus errado pode ser a conquista de um novo território, ou um medo terrível de um lugar desconhecido, muito longe de casa. Bem, eu e Uma amigona minha, Dayse , concordamos na conclusão: o amor é por si só, arrogante, metido (a frase é dela). Não tem pré-requisitos, nem sempre convém com nossas vontades, não precisa de nada e ninguém, e quando forte, desafia, quebra tradições e regras, e rasga nossos planos como se nada fossem. O pior é que depois de toda uma nova visão de tudo isso, o velho hábito nos leva a pensar sobre...