segunda-feira, outubro 18, 2004

Esquerda

De acordo com a teoria do Sorriso, grande sábio: "Na dúvida, sempre vá pra esquerda".
Hoje, na praia do peró em Cabo Frio, eu explorei um pouco mais essa teoria, quis ir mais a fundo desta grande frase.
Na água, aproveitando as ondas, o sol, a cerveja gelada, eu tinha percebido que seguia, naquele momento, o caminho da esquerda.
Este caminho que poucas pessoas se atrevem a cursar é aquele em que o amanhã não importa, que o que vem depois deve ser tratado depois. Importante mesmo é o agora, é viver o momento presente, é saber olhar ao redor e perceber a felicidade nas nossas atitudes, no que fazemos naquele exato momento, quase uma meditação.
A vida do dia-a-dia, regrada pelo relógio, só mostra o caminho da direita, o caminho já traçado pelas outras milhares de pessoas, a estrada de asfalto. De repente, você olha pro outro lado, e ali aparece um caminho escondido, algo já explorado mas esquecido. E quando agente afasta todo aquele mato que cresceu em volta daquele caminho, conseguimos enxergar a beleza de uma trilha que nos obriga a deixar de lado tudo que carregamos nas costas, tudo que nos atormenta a mente, porque pra passar por ali é você e o que há ao redor; não há como carregar coisas, tralhas, como uma trilha de mato que leva a uma praia, e você parte apenas de sunga ou biquini, levando no máximo uma máquina fotográfica. As fotos que você tira de lá são aquelas que estarão estampadas na sua lembrança pro resto da vida, você nunca mais esquece.
O caminho da esquerda é um escape, uma fuga da segunda-a-sexta, do escritório, do compromisso que envolve o tempo. É acordar às 10, tomar café às 11:30, almoçar 14:00 e ir dormir duas da manhã; é curtir a praia com ou sem sol, sem ter que pensar em como voltar, simplesmente pegar o chinelo e caminhar até chegar; é esquecer da TV, das notícias, do celular, e fazer do seu mundo apenas o que a sua vista alcança.
Mas uma hora precisamos deixar lá tudo que vimos e sentimos, e voltar pra estrada, começar denovo nossa trilha no caminho certo. Mas aquelas experiências nos cria uma filosofia da esquerda: não precisamos estar lá, apenas seguir de forma que o caminho da direita possa ser desfrutado e vivido entre o limite da esquerda, num equilíbio entre corpo e alma, físico e mental, real e ideal. Voltemos agora pra estrada que começa em mais uma nova semana, mas sabendo que cada vez mais, vamos na contra-mão, ocupando o lado da esquerda mesmo no asfalto.

sábado, outubro 09, 2004

Lições

Estou aprendendo agora que uma lição na vida se aprende mais de uma vez. Um dia eu aprendi que não consigo convencer ninguém do quanto vale a pena se arriscar por algo; se eu sei que vale, é porque pra mim aquele risco tem o valor necessário, mas pra outra pessoa não. Não consigo convencer as pessoas do valor das coisas na vida, elas tem que perceber isso sozinhas.
O tempo passa, e novamente me vi diante dessa grande lição que a vida já havia me dado antes, mas ainda assim caio no erro tentar mostrar que esta que me ensina a cada dia que passa é curta, que cada lição pode ser a última delas, que o arrependimento que vou sentir de não ter lutado pela minha felicidade, mesmo que seja a preço de sofrimento, vai ser muito maior. Perda de tempo. Tudo que me resta é esperar que os valores da vida venham e mostrem que o sofrimento é apenas parte da felicidade que se aprende a conquistar e lutar, dia após dia.

quarta-feira, outubro 06, 2004

Absoluto ou Relativo?

Existem duas formas de viver a vida: a relativa e a absoluta.
Quando se opta por viver a vida absoluta, você passa a olhar para o que tem, aonde chegou, quem você é, e consegue saber se atingiu seus objetivos, se realizou seus sonhos, quais são suas metas daqui pra frente; importante é saber como vai a sua vida.
Infelizmente, tenho reparado que as pessoas têm escolhido viver a vida de forma relativa: sua felicidade é uma estatística baseada na comparação do seu ambiente.
Você não tem o que eles tem? Sinto muito, mas algo falta pra sua felicidade. É como uma bola de neve, que cresce cada vez mais sem ter percepção de que tamanho atinge, importando apenas ficar maior e maior, afinal, sempre haverá algo maior do que você.
Um segredo que tenho aprendido na vida é que a felicidade não está nas coisas que você tem apenas por tê-las; uma das verdades da felicidade é que ela só acontece quando sabemos desfrutar do que temos, independente do que temos. Quando essa verdade desperta em nossa consciência, aprendemos que temos muito mais do que precisamos, e que todo esse tempo, tivemos tudo que os outros quiseram, não nós.