De acordo com a teoria do Sorriso, grande sábio: "Na dúvida, sempre vá pra esquerda".
Hoje, na praia do peró em Cabo Frio, eu explorei um pouco mais essa teoria, quis ir mais a fundo desta grande frase.
Na água, aproveitando as ondas, o sol, a cerveja gelada, eu tinha percebido que seguia, naquele momento, o caminho da esquerda.
Este caminho que poucas pessoas se atrevem a cursar é aquele em que o amanhã não importa, que o que vem depois deve ser tratado depois. Importante mesmo é o agora, é viver o momento presente, é saber olhar ao redor e perceber a felicidade nas nossas atitudes, no que fazemos naquele exato momento, quase uma meditação.
A vida do dia-a-dia, regrada pelo relógio, só mostra o caminho da direita, o caminho já traçado pelas outras milhares de pessoas, a estrada de asfalto. De repente, você olha pro outro lado, e ali aparece um caminho escondido, algo já explorado mas esquecido. E quando agente afasta todo aquele mato que cresceu em volta daquele caminho, conseguimos enxergar a beleza de uma trilha que nos obriga a deixar de lado tudo que carregamos nas costas, tudo que nos atormenta a mente, porque pra passar por ali é você e o que há ao redor; não há como carregar coisas, tralhas, como uma trilha de mato que leva a uma praia, e você parte apenas de sunga ou biquini, levando no máximo uma máquina fotográfica. As fotos que você tira de lá são aquelas que estarão estampadas na sua lembrança pro resto da vida, você nunca mais esquece.
O caminho da esquerda é um escape, uma fuga da segunda-a-sexta, do escritório, do compromisso que envolve o tempo. É acordar às 10, tomar café às 11:30, almoçar 14:00 e ir dormir duas da manhã; é curtir a praia com ou sem sol, sem ter que pensar em como voltar, simplesmente pegar o chinelo e caminhar até chegar; é esquecer da TV, das notícias, do celular, e fazer do seu mundo apenas o que a sua vista alcança.
Mas uma hora precisamos deixar lá tudo que vimos e sentimos, e voltar pra estrada, começar denovo nossa trilha no caminho certo. Mas aquelas experiências nos cria uma filosofia da esquerda: não precisamos estar lá, apenas seguir de forma que o caminho da direita possa ser desfrutado e vivido entre o limite da esquerda, num equilíbio entre corpo e alma, físico e mental, real e ideal. Voltemos agora pra estrada que começa em mais uma nova semana, mas sabendo que cada vez mais, vamos na contra-mão, ocupando o lado da esquerda mesmo no asfalto.
segunda-feira, outubro 18, 2004
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