Saindo do restaurante hoje, parei em frente as revistas do jornaleiro enquanto esperava o Rafael pagar seu almoço; ia repassando as capas, procurando coisas interessantes, muitas variedades, cores, fotos, muiros assuntos, até que me deparo com uma matéria de uma revista masculina que trazia um manual de pé-na-bunda: como passar por isso numa boa.
Deu vontade de rir na hora, na exata mesma hora que também achei ridículo! Ah, como se a vida tivesse manual.
"Responda a este simples questionário, some os pontos e veja o que deve fazer:
1 a 5 pontos: Você está melhor, já consegue dormir numa boa, quem sabe já até anda sonhando com aquela vizinha...
6 a 10 pontos: Hmmmm... Já consegue ouvir algo mais animado no diskman, mas aquela trilha sonora da novela das 8 ainda rola e muito...
10 a 15 pontos: É, não tira o papel higiênico da mochila tão cedo garotão..."
Ridículo. Fico aqui me indagando se este talvez fosse um dos motivos pela qual tantas menininhas leram essas revistas de adolescente, que trazem todas as respostas para suas perguntas indelicadas, indecorosas e indescritíveis. Tão fácil seria a vida se alguém pudesse enquadrar nossas experiências num simples questionário, separados por assuntos: andaríamos com um almanaque, uma bíblia do "Como fazer para viver".
A vida nos traz muitas surpresas, isso é tão certo quanto a morte. Cada um tende a um lado da surpresa: A boa ou a ruim? Escolha seu lado.
segunda-feira, novembro 28, 2005
sexta-feira, novembro 25, 2005
Experiência
"A experiência transforma o sofrimento em vivência."
A paciência é a maior das virtudes, com certeza. No início, eu reagia instintivamente, sem respirar, como um cão de caça treinado. O tempo passa, aquele incômodo já não é o primeiro, você já ouviu aquilo mais de uma vez, a mesma pessoa sempre com os mesmos problemas, vai ficando mais tranquilo, é quase cotidiano, e reagir daquela forma não deu certo, vou tentar de outro jeito. A vida mostra muita coisa, te coloca do outro lado, agora você é a vítima e no seu lugar tem alguém que fazia aquela cara de quem não tá nem um pouco afim de ouvir; você olha, se irrita, não admite tal tratamento, é um absurdo, falta de compaixão, sujeito babaca. Depois, você lembra que aquele gesto é familiar, não admite em hipótese nenhuma na frente daquele babaca, mas é exatamente como você fazia!
Você volta pro seu papel de ouvinte, o hábito não muda da noite pro dia, mas com certeza existe lá no fundo, emergindo aos poucos, um lado humano que pelo menos esconde a expressão de intolerância, uma brincadeira daqui, um comentário de quem se identifica dali, e vai ficando mais fácil de levar; resolvido o problema, vem uma sensação estranha, uma alegria esquisita, um bem estar de quem acabou de se sentir útil, prestativo, sem nem requerer elogios.
Os dias passam, e quem aprende o valor que tem, seu papel dentro do todo e o quão gratificante é poder ajudar aprende a ver as coisas ruins como experiências, bagagem, portfolio.
Afinal, caímos para aprendermos a nos levantar.
A paciência é a maior das virtudes, com certeza. No início, eu reagia instintivamente, sem respirar, como um cão de caça treinado. O tempo passa, aquele incômodo já não é o primeiro, você já ouviu aquilo mais de uma vez, a mesma pessoa sempre com os mesmos problemas, vai ficando mais tranquilo, é quase cotidiano, e reagir daquela forma não deu certo, vou tentar de outro jeito. A vida mostra muita coisa, te coloca do outro lado, agora você é a vítima e no seu lugar tem alguém que fazia aquela cara de quem não tá nem um pouco afim de ouvir; você olha, se irrita, não admite tal tratamento, é um absurdo, falta de compaixão, sujeito babaca. Depois, você lembra que aquele gesto é familiar, não admite em hipótese nenhuma na frente daquele babaca, mas é exatamente como você fazia!
Você volta pro seu papel de ouvinte, o hábito não muda da noite pro dia, mas com certeza existe lá no fundo, emergindo aos poucos, um lado humano que pelo menos esconde a expressão de intolerância, uma brincadeira daqui, um comentário de quem se identifica dali, e vai ficando mais fácil de levar; resolvido o problema, vem uma sensação estranha, uma alegria esquisita, um bem estar de quem acabou de se sentir útil, prestativo, sem nem requerer elogios.
Os dias passam, e quem aprende o valor que tem, seu papel dentro do todo e o quão gratificante é poder ajudar aprende a ver as coisas ruins como experiências, bagagem, portfolio.
Afinal, caímos para aprendermos a nos levantar.
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