Há muito tempo eu tenho um bloqueio em aceitar que sou adulto, mas não por fugir das responsabilidades, mas pelo peso da palavra; eu que há pouco tempo atrás era um menino e vivia tentando ser um, finalmente cheguei lá e hoje percebo que foi como fazer 18 anos: continuei fazendo as mesmas coisas de 17 anos.Hoje de manhã me veio à cabeça que na infância eu brincava de jogo da vida. Ah,como era divertido pegar meu carrinho, colocar-me nele e caminhar pelas casinhas dos anos, e casar-me, ter filhos, e brincar de afortunar-me nas alegrias e tristezas que esse caminho tortuoso me apresentava. E o tempo passou, e adivinhe? Continuo jogando o mesmo jogo, só que com regras mais duras, e consequências maiores que apenas perder uma rodada.É, a vida. Temos muitos jeitos de vivê-la, e talvez por isso não existe um manual: já pensou que a gastaríamos inteira pra tentar aprender, e quando soubéssemos, não nos serviria de nada todo aquele conhecimento?Dos muitos lados que talvez possamos pensar que existem, podemos conseguir resumir a dois: ser positivo ou negativo, ver o bom ou o ruim da vida.Então alguém decidiu que aprenderíamos aqui, no meio do jogo, e cá estamos nós, caminhando no tabuleiro sem ter a menor idéia do que vem pela frente e tendo a única certeza que lá existe um fim, e que não começa uma nova partida.
Vou aproveitar e imendar nessa partida da vida, aquela hora em que não todos, mas a maioria dos jogadores passa: ser pai. Engraçado, penso no meu pai e ele sim é adulto, eu não.Ah, se fosse tão fácil quanto só colocar as pecinhas no carrinho e continuar o jogo... mas aquela pecinha é realmente tão pequena como no jogo, mas ela se mexe, está viva, tem vida! olha pra você e ri, chora, fita, percebe as coisas no mundo lá fora e precisa de ajuda! E você tem ela no colo, mas tanto quanto ela, não sabe o que fazer: são dois perdidos, cada um com suas novidades e problemas.E você, que como eu até pouco tempo, era apenas um menino tentando transpor obstáculos na vida, vai tentar ensinar como sabe, o que sabe, pra que essa pequena pessoa que vem ao mundo, como fazer isso sem que ela sofra tanto quanto você sofreu, mesmo sabendo que o sofrimento lhe tornou forte; vai tentar dar a ela todo o conhecimento que tem, mesmo sabendo que precisa aprender muito.Ah, se fosse tão fácil como imaginar e escrever como eu faço... mas não é. E acredito que chegamos a uma idade, depois de muito ver e experimentar dessa vida, que percebemos o quanto foi difícil fazer esse trabalho, e o quanto cobramos dessas pessoas que tanto se esforçaram pra nos dar tudo que elas nem tinham. Como acredito em Karma, vamos ter a chance de viver o quanto é difícil tal tarefa, mas reconheço só pelo pouco que passei que talvez um manual, mesmo que extenso, pode ter feito falta em muitas horas.Meus parabéns à vocês, pais, pai e mãe, que tentaram, por opção ou não, nessa tarefa difícil que é ser o que vocês são: pais e mães.
Feliz dia dos Pais.
sexta-feira, agosto 12, 2005
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