segunda-feira, setembro 20, 2004

Características que nos movem

Cada ser humano é um, único, como receita de cozinha, desenho a lápis. E o que nos faz únicos são nossas características, nossas qualidades e defeitos, nosso eu.
São muitas as características que podem moldar uma pessoa, mas na minha e na de muitas pessoas, existem algumas específicas que fazem de um pequeno e seleto grupo de pessoas, dentre essa humanidade, extraordinárias.
Em homenagem a um email que recebi da minha avó, começo com a indagação, o questionamento, a dúvida ou curiosidade, uma grande interrogação que habita algumas pessoas, eu inclusive, e leva a uma busca incansável de conhecimento; algo que nos traz no mínimo a experiência de valorizar cada saber, tendo eles valores iguais. Acho que esta característica é uma das quais nos leva mais e mais longe do que chamo de "vida de margarina": aquela em que todos nós estamos plenamente submissos, a tudo que é imposto, ao que parece ser o mais perfeito surreal sonho de vida. Na vida eu aprendi, graças à minha mãe, que a cultura é uma das maiores riquezas que um ser humano pode ter; e ninguém chega até ela sem perguntar como.
Mas, não é só querer saber. Quando perguntamos, queremos resposta, e saber ouvir é um dom, uma disciplina.
Disciplina é algo que sinto falta na minha vida hoje. Sei disso quando não vejo meu tempo passar; ele so é formado de duas partes: o início e o fim de tudo, porque o meio foi quando as coisas aconteceram, e lá, eu não estava presente 100%. É quando vejo os acontecimentos como um flash, algo corrido, sem cores, odores, sentimentos. Entendam que meu único arrependimento foi não ter vivido cada segundo intensivamente. Parte da minha meditação me traz a dádiva de saber viver o presente, mas ela também ensina que é importante saber planejar o futuro e respeitar o passado. E no meu caso últimamente, eu não tenho me disciplinado pra poder decidir com sabedoria como dividir meu tempo pra fazer o que precisa ser feito.
Sabedoria: de acordo com o dicionário Houaiss, sabedoria é definida como "prudência e moderação no modo de agir; temperança, reflexão". Eu gosto de definir sabedoria como "saber usar o conhecimento de forma certa". Acho que todo conhecimento que adquirimos na vida só é bem usado, só valeu a pena, se soubermos empregá-lo ou imitá-lo de forma correta na vida. Sabedoria também é auto-conhecimento. Cada um deve, mais do que conhecer a tudo e a todos, conhecer a si mesmo.
Todos temos ídolos: pessoas que nos inspiram, que exprimem sucesso nas características que mais nos identificam. Mas ter um ídolo é algo que tem se confundido em tornar-se aquela pessoa em específico, desistindo do que se é, do que se tem. Saber quem somos e até aonde vamos é poder crescer como somos, sem que nossa identidade se torne vítima da nossa busca por conhecimento, por amadurecimento.
E depois de escrever tudo isso, eu penso, ou melhor, me indago:
"Aonde eu estou? Aonde quero chegar? O que me falta?"
Sabendo o que quero, eu lembro:
"Que eu consiga dar um passo de cada vez, e que eu saiba ouvir cada resposta silenciosamente, sem que as perguntas fiquem sem resposta."
Depois de ter minha disciplina, penso no que me falta:
"Que eu saiba lembrar de todo meu conhecimento, e que saiba usá-lo todo santo dia, para que estes sejam melhores, um após o outro."
Tendo sabedoria, não me perco:
"Sempre que minha vaidade me levar ao meu reflexo, que eu possa lembrar dessa característica, e de todas as outras que estão por trás da minha pessoa, e aprender a cada dia me observar mais e mais profundamente, além da imagem que se mostra no espelho."

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