Pego meu celular na mochila, ou meu despertador, e coloco em cima da mesa, pra que ele me lembre que amanhã começa tudo de novo. Como quem não quer nada, olho com calma, com cuidado e nenhum sinal. Coloco meu rádio do trabalho pra carregar na tomada, e mais uma vez busco algum sinal dela, mas nada.
Me pego pensando nela, no que ela deve estar fazendo, se ela pensou, se ela lembrou, me dá vontade de escrever.
Depois de beber algumas cervejas, todos os medos e dúvidas sobre o poder ou não estar ao lado dela desaparecem, e deixam espaço pra coragem de ligar, de falar, de tentar; mas ainda há um vestígio do medo da diferença dos mundos, do medo dela não gostar do mesmo, de não dar certo como dá, de não ter certeza.
Depois de pensar, maior inimigo do fazer sem pestanejar, prefiro ficar aonde estou e me ajeitar pra domir, e lembrar que amanhã começa tudo de novo.
sexta-feira, outubro 21, 2005
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