Há algum tempo atrás nós nascemos nesse mundo. E hoje temos nossas posses, como se cada um de nós ganhasse um porquinho pra guardar o que quisesse, sem restrições.
Sem perceber possuímos enormes cofres, com tudo guardado que vimos no caminho, tudo que foi possível ser acumulado. Muitas das vezes, tantas coisas guardadas que nem temos idéia do quanto, do quê ou da mínima importância ou real uso, e pior, privando do uso alheio, do desfrute de outras pessoas que poderiam dividir tais posses sem que nenhum de nós se prejudique.
Mas a vida passa na mesma proporção que o peso do cofre aumenta, e o caminho é mais tortuoso, mais complicado, às vezes íngrime, e quase sempre sem a menor projeção do destino, ou dos próximos cruzamentos, bifurcações e escolhas.
E no final do caminho, aonde não há mais saída, quando nos damos frente a única certeza que nasce conosco, olhamos nossas posses e descobrimo-nos tão preocupados em ter tudo que o desejo material nos instiga que esquecemos que quando esta hora chega, não podemos levar nada.
Tudo aqui é emprestado.
O que levamos de verdade são os resultados de nossas atitudes, as lições de moral vindas do sofrimento, de como contornamos as más situações, de como deixamos o orgulho de lado, de como nos portamos em relação ao próximo, de como fomos no papel de seres humanos para com o mundo, de como crescemos por dentro com tudo isso.
Ninguém é o que tem ou o que carrega por fora.
Usufrua do que a vida lhe dá, provinda do seu ou do esforço alheio, sabendo dar o valor e sempre lembrando que além de ser emprestado, tudo que vem pode voltar na mesma intensidade: tudo que é material é perecível ao tempo.
Você realmente precisa de tudo que tem? Você realmente usa tudo que tem?
O quanto do seu cofrinho não é material?
Só a matéria carrega o que é material. E quando a matéria acaba?
domingo, abril 23, 2006
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