terça-feira, janeiro 17, 2006

Baile de fantasias

Cada dia que passa, a impressão fica mais forte, e a um ponto está de virar uma convicção de que vivo num baile de máscaras.
Olho as pessoas ao meu redor, e vejo seus rostos adornados, coloridos, enfeitados, lindos sorrisos, belos olhos, cantos de boca, cordialiade, e tudo que elas queiram parecer.
E quem são as pessoas por baixo das máscaras? não sabemos. Nos restam 2 opções:
Podemos nos aproximar, e com delicadeza, receber o direito de conhecer aquela personagem por trás de tudo aquilo, ver realmente quem são as pessoas, ver defeitos, qualidades, aprender a lidar com elas, não gostar de sua compania, mas saber de verdade quem são.
Ou também podemos fantasiar quem são, ouvir os murmurinhos que correm pelo salão, as fofocas, os comentários, deixar nossa criatividade fluir, que cria pessoas boas e ruins ao mesmo tempo, e nos deixa na cruel dúvida de escolher que lado damos ao caráter de nossa vítima. Podemos errar e muito, mas o que parece é que as pessoas não querem se dar ao trabalho da intimidade, do conhecer, da descoberta.
Acredito que existam milhares de razões, principalmente porque estas são individuais, mas a que mais me incomoda é a questão do "senso-comum".
Senso comum pro inferno!
Este aí é o maior inimigo da individualidade, do eu de cada um, da diversificação das coisas.
Estamos tão preocupados em parecer como todos que esquecemos que uma das maiores características do ser humano é a individualidade. Somos capazes de optar, numa fila de banco, o mesmo caixa mesmo vendo milhares vazios, porque não queremos ser diferentes, temos medo dos dedos nos apontando, dos cochichos, dos comentários. Não compramos as roupas que temos vontade, mas sim aquelas que todos tem. Somos iguais. O que houve?
"O que será do azul, porque todos gostam do verde!?"
Eu adaptei esta frase para com a minha preocupação no futuro, principalmente com essa falta de interesse do ser humano de buscar a sua e a individualidade alheia. Me desculpe os termos, mas falando de algo tão babaca, eu digo foda-se o todo mundo, cada um é cada um.
Deixemos de lado o que os outros pensam de nós, deixemos também a vontade de ser o que eles nos pensam!
E o que será do baile de máscaras, com todo aquele encanto, porque não falta muito pra que todos usemos as mesmas fantasias.

M.D.P, é pra você.

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