A fila é grande, eu em pé sob o sol cruel do verão esperando pacientemente a minha vez. Ando a passos de formiga, e quanto mais perto chego, mais nervoso fico, mais a adrenalida aumenta, a vontade cresce inversamente proporcional à paciência.
Finalmente, agora é minha vez de escolher onde sento, e do meu lado um alguém que não conheço, sorrio, e me afivelo. Que venha, seja lá o que for.
Segundos de suspense que parecem uma eternidade de horas, e finalmente começo a sentir movimento; os carrinhos encaram uma subida que parece deixar as nuvens pra trás, as pessoas parecem insetos.
Até que o barulho cessa, e de repente...
O coração bate desesperado, como se prevesse um turbilhão de emoções da qual não sabe se vai dar conta, o corpo joga adrenalina em todas as veias e vasos possíveis, posso enxergar em um segundo tudo ao meu redor como se durassem minutos em câmera lenta.
A adrenalina acostuma, até mais, vicia, e a sensação de medo se perde na emoção de querer mais, de não querer parar, de sentir cada volta fazer o estômago parar na boca, o vento na cara com força, os braços pro alto e a garganta se esgotando de tanto esforço pra gritar e colocar pra fora toda aquela emoção que me esforço pra descrever.
E no meio de tantas sensações, a adrenalina vicia o ego como droga, faz parecer que nem o Super-Homem é tanto assim, que o céu não é limite nenhum e que tudo está ao meu alcance, incondicionalmente.
Até que a velocidade vai diminuindo, as voltas vão parando, tudo vai se ajeitando, começo a sentir a exaustão do corpo, o desgaste emocional e mental, o tempo ao meu redor volta a correr junto do relógio, e de repente, tudo para.
Uma tristeza se abate, olho pra aquela fila lá fora, vejo todos aqueles brinquedos e já não sei mais se um simples "bate-bate" ou uma "roda-gigante" já me atraem, se me dão a mesma sensação de poder tudo como sinto aqui.
Me levanto, olho a fila, e volto a escolher outro lugar, quero mais, denovo! Uma outra pessoa ao meu lado, sorrio, olho pra ela me perguntando o que teremos nesse novo passeio, e mesmo sabendo que o trajeto é o mesmo, as emoções são completamente diferentes. E vamos nós...
Mas depois de tantas voltas, sinto que a diversão fica mais por conta do meu ego, que suga minha adrenalina e a sensação de poder; já não sinto mais tanta graça, já me cansa demais, meu coração já não aguenta de tanta força pra sustentar tudo isso, minha cabeça não sabe mais o que pensar, em que lugar sentar, quem mais eu vou ver nessas tantas voltas. Quero descer, mas depois de uma volta no parque, sinto que ela me chama, mas a verdade é que sinto saudade dos brinquedos mais calmos, sinto a falta de me divertir com o simples, sem nada mais sofisticado e complicado.
E agora? Estou perdido no parque...
quinta-feira, janeiro 26, 2006
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Um comentário:
Incrível como vc entra na nossa alma e consegue fazer a gente olhar de fora... Nos ver e reconhecer o que se passa na nossa vida...
Não sei mais o que dizer.....
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